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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Alimentos dos Espíritos

É costume entre alguns grupos indígenas, que partes dos alimentos sejam reservadas aos espíritos. Essa prática não é exclusiva dos índios. As comidas de santo oferecidas aos orixás nas cerimônias de religiões afro-brasileiras, e o costume de famílias orientais - mais antigas - de colocar um pratinho de arroz nos altares, para os familiares que já morreram; também representam, a união entre os espíritos e os vivos.
Esses alimentos são porções especiais - não qualquer parte - e preparadas conforme regras estritas, usualmente pelos pajés e guias espirituais.

Os índios
Mundurucu, do Pará, acreditam que os espíritos de seus antepassados aparecem na Casa onde guardam suas flautas sagradas. Em determinadas festas, os índios levam mingau de mandioca para essa casa, o que garante a proteção dos espíritos para as colheitas. Entre os índios Suyá, o pajé prepara um prato com as partes nobres da carne das antas que são caçadas, e também leva a comida para o local onde guardam seus instrumentos musicais.

É comum que esses alimentos reservados aos espíritos visem acalmar possíveis reações raivosas das almas dos animais abatidos. Essa crença é comum a diversos grupos indígenas. Algumas caças exigem melhores cuidados em virtude de sua tradição mágica. O veado, por exemplo, é considerado por várias etnias, como um ser humano encantado, e comer sua carne sem passar pelos rituais determinados, é um risco de praticar antropofagia.
O antropólogo Darcy Ribeiro levantou a hipótese, enquanto conviveu com os índios Urubu-Kaapor, que os procedimentos de descarnar os veados abatidos em caçada eram semelhantes aos ritos antropofágicos dos antigos índios Tupi.

Os Kaapor
contam um mito sobre Anhanga-apar, um caçador que sempre chegava à aldeia com costelas e traseiro de anta.
Para saber mais:
- Diários Índios: os Urubu-Kaapor ; de Darcy Ribeiro

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